O presidente da Coopatrigo, Paulo Pires, abordou a situação econômica da cooperativa, os investimentos em andamento e as dificuldades enfrentadas pelo setor agropecuário durante entrevista ao programa Olho Vivo, da Rádio São Luiz, nesta sexta-feira, 6 de novembro. A participação ocorreu após a divulgação do Ranking 500 Maiores do Sul de 2026, elaborado pelo Grupo AMANHÃ, com parceria técnica da PwC Brasil, que incluiu a Coopatrigo entre as 16 cooperativas gaúchas relacionadas pelo Sistema Ocergs. O levantamento considera os balanços econômico-financeiros de 2025 e reúne empresas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Segundo Pires, a cooperativa registrou seu maior faturamento e resultado em 2024, período em que as condições de produção e comercialização foram mais favoráveis. Entretanto, as estiagens e as frustrações de safra de 2025 e 2026 afetaram o recebimento de grãos e limitaram o crescimento das atividades. O dirigente destacou que o endividamento dos agricultores, as restrições de acesso ao crédito rural e as taxas de juros comprometem a capacidade de investimento dos produtores. Na avaliação dele, parte dos agricultores poderá enfrentar dificuldades para realizar o próximo plantio, o que representa risco para a continuidade dos ciclos produtivos e para a recuperação financeira das propriedades. Diante desse cenário, informou que a cooperativa mantém medidas de contenção de despesas e acompanhamento dos custos operacionais.
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Em relação aos investimentos, Paulo confirmou que o estudo de viabilidade para implantação de uma usina de etanol permanece em andamento, mas ainda depende de avaliações sobre custos, financiamento e condições econômicas para execução. O presidente explicou que a taxa de juros e as mudanças previstas na reforma tributária são fatores considerados pela administração antes da definição de novos projetos. A construção de um novo supermercado também está sendo reavaliada, embora não tenha sido cancelada. Segundo ele, a cooperativa pretende manter cautela na utilização de recursos próprios e na contratação de financiamentos. Por outro lado, continuam em execução os investimentos nas unidades de Santo Antônio das Missões e Roque Gonzales, que somam aproximadamente R$ 38 milhões. Também está prevista para 19 de novembro a inauguração de uma unidade do Sicredi em Vila Mário, instalada em prédio construído pela Coopatrigo. Sobre as atividades comerciais, Pires afirmou que os diferentes setores apresentam resultados dentro das previsões da administração. Ele mencionou as dificuldades enfrentadas na comercialização do arroz, quando os preços recuaram de aproximadamente R$ 110 a R$ 115 para R$ 60, provocando perdas no setor. Conforme o dirigente, a comercialização foi normalizada, com distribuição das marcas Arroz Sete Povos e Arroz Coopatrigo para mercados de diferentes estados, incluindo Minas Gerais e São Paulo.
O presidente também analisou as condições das lavouras na área de atuação da cooperativa e as perspectivas para a safra de verão. Segundo Paulo, o trigo e a canola registraram frustrações de produção, em razão de eventos climáticos que atingiram diferentes localidades, incluindo ventos, granizo e chuvas intensas. Ele observou que o trigo apresentou redução da área cultivada, enquanto a canola teve expansão do plantio, mas ambas as culturas foram afetadas por perdas. Em relação ao milho, mencionou preocupações com os preços e a liquidez do mercado, enquanto para a soja destacou a necessidade de condições climáticas adequadas ao desenvolvimento das lavouras. O dirigente também citou os efeitos das chuvas intensas sobre áreas recentemente semeadas e a importância da produção de arroz na região de São Borja. Além das questões agrícolas, Pires abordou a representação política das Missões e defendeu maior articulação regional para encaminhar demandas aos governos estadual e federal. Entre os problemas mencionados estão a situação da ERS-168 e da ponte sobre o Rio Piraju, que liga São Luiz Gonzaga a Roque Gonzales, e as dificuldades de abastecimento de água em São Luiz Gonzaga. Na avaliação do presidente, a ampliação da representação política regional pode contribuir para o encaminhamento de reivindicações relacionadas à infraestrutura e aos serviços públicos. Ele também reiterou a necessidade de medidas voltadas ao endividamento rural e ao acesso ao financiamento, considerando os efeitos das perdas agrícolas sobre a capacidade econômica dos produtores.
Fonte: Rádio São Luiz