
A Delegada Tanea Bratz, da Delegacia de Polícia de Proteção ao Grupo Vulnerável de São Luiz Gonzaga, concedeu entrevista à Rádio São Luiz para abordar a recente divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que revela um aumento nos registros de estupros de crianças e adolescentes no país.
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Durante a entrevista, Tanea expressou sua perplexidade e indignação com o tema, enfatizando que muitos casos ocorrem dentro dos lares. Ela ressaltou a responsabilidade de todos em denunciar tais crimes, mencionando o trabalho realizado em escolas, onde professores frequentemente identificam sinais de abuso.
A delegada também compartilhou sua visão de que o aumento nos registros não necessariamente reflete um aumento na incidência, mas sim um maior número de denúncias, indicando uma maior conscientização e busca por ajuda. Ela destacou a importância de atividades educativas nas escolas, como palestras e redações sobre o tema, que podem identificar comportamentos suspeitos, incluindo mudanças no comportamento das crianças e adolescentes.
Em relação aos procedimentos na delegacia, a Delegada Tanea mencionou que depoimentos de crianças com menos de 9 anos requerem perícia psíquica do Departamento Médico Legal, que enfrenta uma alta demanda, dificultando a agilidade no processo. Outro desafio constatado pela Delegada é o acompanhamento psicológico, citando a necessidade de investimento do estado e do município em profissionais da área de psicologia. Ela reforçou que existe uma longa fila de espera, e que não adianta só responsabilizar o causador do sofrimento sem prestar o amparo e tratamento das vítimas, de todos os grupos vulneráveis, mas especialmente das crianças e adolescentes.
A delegada enfatizou seu compromisso pessoal e de sua equipe em oferecer o melhor suporte possível às vítimas, reconhecendo a complexidade emocional envolvida no trabalho com grupos vulneráveis. Ela ressaltou que, apesar das dificuldades, estão empenhadas em proporcionar um atendimento de qualidade.
Por fim, Tanea Bratz alertou para as condições desafiadoras enfrentadas por crianças e adolescentes após a pandemia, mencionando casos de abusos “inimagináveis” dentro de seus próprios lares. Ela encorajou a população a denunciar esses crimes, destacando a possibilidade de denúncia anônima através de diversos órgãos como Disque 100, Disque 180, Delegacia de Proteção ao Grupo Vulnerável, Plantão da Polícia Civil, Brigada Militar, Conselho Tutelar e Ministério Público.
Fonte: Rádio São Luiz