
Com o objetivo de promover a preservação ambiental, reconhecer remanescentes florestais e incentivar boas práticas no cultivo da Ilex paraguariensis, está em andamento o concurso “Árvores Gigantes do Rio Grande do Sul – Ano da Erva-Mate”, promovido pelo Laboratório de Manejo da Vida Silvestre da Universidade de Passo Fundo (UPF), com apoio de instituições como a Emater/RS-Ascar. O prazo para inscrições encerra-se no dia 30 de junho de 2025.
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A iniciativa busca mapear os maiores exemplares da espécie em cinco polos ervateiros do estado: Planalto, Missões, Alto Uruguai, Nordeste Gaúcho e Vale do Taquari/Alto Taquari. Cada polo selecionará dez árvores, e entre as cinquenta finalistas serão escolhidas as dez mais representativas do Rio Grande do Sul. As vencedoras serão anunciadas em 21 de setembro, data em que se celebra o Dia da Árvore.
Podem participar do concurso pessoas físicas, jurídicas e comunidades em geral que detenham a posse legal da terra onde estiver localizada a árvore inscrita. São aceitas inscrições de áreas particulares, lotes de reforma agrária e demais formas legítimas de ocupação. As candidaturas devem ser feitas presencialmente nas unidades locais da Emater, mediante a apresentação das medidas de circunferência e altura da árvore.
Segundo Júlia Costa Oliveira, mestranda em História pela UPF e integrante da organização do concurso, a proposta é, além da valorização da árvore nativa, fomentar a sensibilização ambiental e o reconhecimento dos produtores que mantêm as matas nativas em pé. A partir da seleção dos exemplares gigantes, pretende-se também identificar indivíduos que possam se tornar árvores matrizes, garantindo a diversidade genética e a qualidade das mudas futuras.
Para ser considerada uma “Árvore Gigante”, a erva-mate deve apresentar pelo menos 1,5 metro de circunferência à altura do peito (1,30m do solo), sendo que exemplares com mais de 2 metros de circunferência recebem destaque especial. O levantamento será validado por equipes da Emater e da comissão organizadora, que farão as medições no local de cada inscrição.
A erva-mate, classificada cientificamente em 1820 pelo botânico francês Auguste de Saint-Hilaire, pode atingir até 15 metros de altura e ter uma longevidade estimada em cerca de 400 anos. Sua utilização remonta ao período das missões jesuítico-guaranis, sendo considerada uma planta de relevância histórica, econômica e cultural no Sul do Brasil. Hoje, a espécie continua amplamente presente no cotidiano da população, especialmente no hábito do chimarrão.
Além do aspecto ambiental, o concurso também dialoga com o manejo sustentável. A organização reforça a importância de práticas que respeitem o tempo de regeneração do solo após cada colheita, o que impacta diretamente na produtividade e na saúde da planta. A preservação das árvores gigantes reforça, portanto, não apenas a memória cultural do uso da erva-mate, mas também estratégias de produção mais equilibradas.
A premiação e os detalhes sobre os locais das cerimônias serão divulgados pela comissão organizadora após o encerramento do período de inscrições. Mais informações estão disponíveis nas unidades da Emater/RS-Ascar dos municípios participantes.
Fonte: Rádio São Luiz